sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ela.

Raimunda Soares de Oliveira.

A purificação de seu corpo se deu com a chegada da negra luz.
O sol...
Penetrou-te a alma.

Sua casa, coberta de manta negra e arenosa
Seu lar, coberto de luz.

Duas moradas;
duas vias encantadas.

Linhas corpóreas desvaneceram-se em silêncio.

Já não há gravidade.
Não há identidade.

...

É estranho ir para o inacabado,
para o segredo sagrado.
Partir em silêncio, buscando morada,
sem bairros
sem ruas
sem casas.

As nuvens se transformaram em seu aconchego.
As estrelas, seu reino infantil.
Nossos sentimentos, seu conforto.

sábado, 15 de maio de 2010

Carne vívida.




Da Carne,
sangue.
Cristais sentimentais,
Vida.
Pó.
Nada.
Além-vida,
tudo.

Amém.


(Foto: Zhang Huan)


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Render

Uma manhã de sábado
um coração partido.
Seus olhos quentes foram embora
esqueceram de me aquecer.

Se esqueceram de me deter!
Ouça meu assassino o que tenho a dizer
o que tenho a oferecer...

Não ofereço minha cama
mas sim meu corpo
Não ofereço minha boca
mas sim meu sorriso.

Não ofereço minhas mãos
mas sim meu tato
Não ofereço meu coração
mas sim toda a dor nele contida.

Não ofereço meus olhos
mas sim minha alma
Não ofereço meus problemas
mas sim meu aprendizado.

Uma canção pra te deter...
Uma oração pra te trazer
Uma evocação do seu ser
Do seu... Oh meu.

Uma canção pra te deter
pra te surpreender
pra te render.
Render
render
render
render
Uma canção pra te fazer render.

David de Oliveira

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Em espera.

Em espera...

Meu sangue se esfria por você
meus sentimentos se delimitam por você
Meu demônio se transparece da forma mais sublime

Onde está você para me acalmar
para me mostrar o caminho da luz
para livrar-me dos pecados.

Eu sou sua analogia, seu pecado maior
Sua diferença ampliada
Seus desejos íntimos

Onde está sua luz?
sua escuridão?
sua perfeição...

Onde está sua alma?
Liberte-me...
Venha para minha essência

Evoco-lhe.
Já se foram lágrimas perdidas
desiludidas

Peço-lhe seu amor imperfeito
Você, meu pecado venial,
desespero...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Só dizeres, não poesia.

Sim, eu já sabia...
Seus lábios ainda permeam minha mais sublime essência
sobreposto em uma grotesca solidão

Seu espírito desencantado
desiludiu de minha alma
se perdeu em minha calma

Meu corpo sólido queima
anda se perdendo em outros caminhos
em outros corpos

por falta de seus lábios,
de seus olhos,
de seu jeito ao sorrir

Sim, eu já sabia...
Isso não é poesia
apenas dizeres de uma tarde ruim
em um botequim

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Sonhos

Ao encontro da penumbra,
perturbadora de sonhos,
deito-me.

Deleito-me...
Em uma tumultuosa solidão,
sólida solidão.

Tumultuosa aflição.
Inspiração...
De sua alma, de seu sorriso, de sua perfeição.

Coletivamente solidão.
Beijo-lhe as mãos,
mente e coração.

In- piração.
Somente solidão.
Abraço-lhe.

Minha alma põem-se a embalar
junto às estrelas,
junto ao seu olhar.

Uma luz,
um êxodo solar,
meus sonhos...
Um despertar.
Um despedaçar.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Anseios

Sim, com minhas mãos anseio beijar-te,

com olhos violar-lhe,

com meus desejos penetrar-te.

Anseios...



Alimentar-me com seu sorriso,

com seus limites, educar-me.

Evocar paixões,

suas com-paixões.



Assim desejo...

Mistificação de seus beijos,

receios...

Anseios...