terça-feira, 22 de maio de 2012


Os joelhos sacrificados
Pela dor criada
Pelos desejos
áridos.

O eu emblemático.
Dos olhos estáticos.

Por um segundo,
No sensível tato,

Parado.

Tornado o segundo.
O regresso
De um tempo acabado.

Ao espírito que seduz;
Toxinas!
Deteriore enzimas

Aceite a frágil carne
Do íntimo
Que do nojo;
ânsia.

Sem que no fogo
Peça
Em reza
Outras santas.



sexta-feira, 4 de maio de 2012

Contornos



Doce pressão
Sua ausência havia feito calma
Em meu coração.

A luz que habitava no peito
Se foi.
Pois agora aceito você,
Que se tornou minha doce precisão.

Teu corpo; suave depressão
Abate sobre o meu
Que de transtornos adormece,
Transformando o desejo
Em pertubação.

Aceito viver sua angústia.
Seus medos
Seus defeitos.
Aceito sua depressão

Para que no caminho
Da ilusão você possa
Sentí-la,
Em prazer permití-la.

Para que possa
Em suas felicidades
Cantar em alegoria
Sua vida.

sexta-feira, 13 de abril de 2012




Eu que profano versos
Tenho a heresia contra
Meu sentimento expresso.

Eu, que expulso verbos
Garanto o pulso de um futuro incerto.

E na oração peço; em nome do pai
Que teus olhos não se cessam a me olhar
Mesmo que para nada exaltar.

Em nome do filho, peço;
Que suas pequenas mãos
Toquem-me em comoção

Em nome do Espírito santo, peço;
Que sua alma descubra a verdade.
E que solenemente, em pequenos desacertos
Toque a minha

Para o meu sossego.
Amém.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Canto venenosos versos
do meu oculto inverso
para que tu saibas,
da minha ânsia, meu inferno.

Para que possa sentir,
de longe,
meu desejo.
Errôneo ansejo,
que me faz homem.

A pele sem nome
floresce em chama
no inferno da tentação humana.

E você,
peço em oração
Que se reconheces meus versos
e deles despertares ódio,
lembre-se de mim
em todo o ócio.

Por Deus!
Que a pele doente,
Possa despertar
Tua crença demente.

E se mesmo no final
Teus lábios cantarem o trágico
O meu desejo é estável.
E dele canto aos teus proibidos lábios

Tua proibida alma.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Zunem
ao pé do ouvido
os gritos do amaldiçoado

ecoados
pela dor
em assasinato

aqui, jaz, ecoados
o arrepio da alma
em pele
pêlos
aflorados

aqui, jaz, o desejo mútuo
mistificado
criado

transfigurado
emanado
à essência
o amargo do seu defunto

teu doce luto
o caminho sem frutos.
Aqui jaz, teu corpo
submundo

tuas flores expostas,
no olímpo dos mortos,
cantam dores
do passado corpo

choram amores
mortos
do reinado remoto.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O que falar das linhas
que configuram o corpo
exposto?

sem suficiência
perco-me no meu próprio esporro
sem luz
cego-me as retinas criadas
inversas

em solstício
meus pensamentos ferem minha carne.
tornam-a minha violência saciada

assim canto
do meu corpo
em luto.
o que arde no sepulcro
jaz poesia
sem cortesia

em carne,
humano
feito sobre bases
cansado
limitado.

Além-corpo
jaz Ser
em paz
ilimitado

segunda-feira, 31 de outubro de 2011




Já escrito em pele branca
Rasura em cor
O sangue em espessura
Da carne que transa.

Transcende o movimento
Incandescente
Em grossas camadas de dor
Finas texturas sem amor

Do canal alimentado
Digerido,
Saciado,
Na pele
Que sente,
Toca e fere
A pequena fera
Febre demente...

A pele que penetra a pele
Sente o homem que toca,
Em língua,
A textura da carne,
O sal,
Temperatura quente
Sonho demente...

Pêlos em atritos
Que despertam desejos
Antes;
Suprimidos
Anseios...

Aqui,
no peito...
Já não há mais selo.