O que eu quero está além do inferno, do purgatório, do reino dos céus.
O que desejo não me cabe,
E por isso
Me sobram esses excessos.
Não quero cálculos, nem fatos.
Não me venham com este dedo apontado.
Não. Não quero saber das suas comunhões, ou do que é certo e errado.
Não me tragam este formato podre
Medíocre e confortável.
Dos desajustados só restaram
Os restos das raízes podres,
Abandonadas, porque são apenas matéria inanimada.
O subjetivismo e o estado abstrato da matéria
Nos revela uma natureza caótica, porém bela.
Nos revela o homem farsante
Que tenta sobreviver com esta sede de se proteger.
Nos revela um homem que sofre
Que experimenta a dor de todos os dias ser anulado.
Como um infante domesticado.
Aos malditos e deformados
Crescem asas para os devaneios.
E garras, para cavar essa essência febril
De leve manuseio.
terça-feira, 22 de julho de 2014
domingo, 22 de junho de 2014
Todos os meus pontos coçam
Entreabertos por feridas inflamadas
Amarelas.
Versos somente posso
Atestar-me no súbito inconsciente do remorso.
Lágrimas me caem
Pois não caibo no mundo
Neste grande mundo amarelo
Infecundo.
No curso
Ando com prescrição baixa
Nem mesmo me salvam os surtos
Até mesmo a voz infecciona minha realidade inventada.
O meu corpo,
Levado por Eólo,
Vaga pela natureza enquanto cospe em corpos
Entregues ao esquecimento.
Ele arrebentou-se das raízes deterioradas
E alcançou voo nos arredores da natureza mal amada...
Entreabertos por feridas inflamadas
Amarelas.
Versos somente posso
Atestar-me no súbito inconsciente do remorso.
Lágrimas me caem
Pois não caibo no mundo
Neste grande mundo amarelo
Infecundo.
No curso
Ando com prescrição baixa
Nem mesmo me salvam os surtos
Até mesmo a voz infecciona minha realidade inventada.
O meu corpo,
Levado por Eólo,
Vaga pela natureza enquanto cospe em corpos
Entregues ao esquecimento.
Ele arrebentou-se das raízes deterioradas
E alcançou voo nos arredores da natureza mal amada...
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Um verso somente peço
Mesmo que me acometa um estado de náusea
tépido.
Mesmo que profundamente a minha imaginação
alucinada
Possa incitar-me a mais irônica forma
parabólica e reacionária.
Mesmo que possa transformar-me no mais
desajustado entretenimento.
Um verso simples somente peço
Com poesias revertidas e parábolas
despidas.
Com narrador tirano
Enigmático, estranhado
Para a execução da destoante realidade
poética.
Ao lado das descontinuidades da alma
As instâncias sagazes do néctar envenenam
as minhas fantasias.
E meu âmago insatisfeito
Tomado pela obstinada necessidade
Vê-se destruído, diabólico e insaciável
Lançando-se, sozinho, na gênese da
linguagem.
O meu verso tumultua a figura
do inconsciente retrocesso.
É sintoma.
Fálico.
Atemporal,
Humano e ruidoso
Atemporal,
Humano e ruidoso
É análise de um paciente pulsional silencioso.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Monocromático
Assim como suas palavras curtas.
Minha ausência altamente infecta.
Afiada.
Esta é a manifestação do éter enjaulado
Anestésico. Inflamado.
Que arde no peito como uma respiração suspensa
Que inspira uma metáfora barata
Como um coito arado.
Porém, cada palavra ardida tem asas
Que ferem dentro da pele.
E cada fração de segundo batida
O éter se petrifica.
É pacífico e eterno o sepultamento do corpo,
Prudente e expressivo o sacrifício do gozo,
Calculado com rigor e sofisticado pela psique,
creio.
Pulverizá-lo emerge uma ameaça
Ao subsolo da palavra.
Assim como suas palavras curtas.
Minha ausência altamente infecta.
Afiada.
Esta é a manifestação do éter enjaulado
Anestésico. Inflamado.
Que arde no peito como uma respiração suspensa
Que inspira uma metáfora barata
Como um coito arado.
Porém, cada palavra ardida tem asas
Que ferem dentro da pele.
E cada fração de segundo batida
O éter se petrifica.
É pacífico e eterno o sepultamento do corpo,
Prudente e expressivo o sacrifício do gozo,
Calculado com rigor e sofisticado pela psique,
creio.
Pulverizá-lo emerge uma ameaça
Ao subsolo da palavra.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Ainda pesa
Todos os meus cânticos reprimidos.
Nem mesmo esta doença sabe
Como profanar esse amor contido
Entupido.
Os meus versos estão doentes
Doloridos.
Salivam a cada instante.
Se ferem quando expostos na radiação neurótica do sol.
Na supressão da agressão dos amantes.
Houve,
E ainda há,
Diante das experiências,
Uma terra onde a matéria avança.
Onde a palavra torna-se transparente
E o Unheimliche vem à luz
Entre a hipotética sombra da natureza
E o inseparável e secreto mal-estar que me assemelha.
Ainda sinto-me forte
Associo por uma outra abordagem essa angústia que me abate.
Elevo para o desfecho do eu a angústia como moção sentimental
Embora complexo e confuso demais
Um afeto fundamental
Que cada vez mais se firma
Entre ambivalências, desejos e violências.
A voz,
Ainda leva
Esta atmosfera por sopros indefinidos.
E como um louco vou seguindo poético
Desviado, compulsivo, dissociado.
domingo, 20 de abril de 2014
Acho que a palavra de ordem é cura.
Nos limiares da humanidade
O que se buscava era cura.
As boas línguas afirmam:
O coração sofre
O corpo pesa
A mente concebe
E o que se ganha é a morte.
No caminho tortuoso
Excepcionalmente instrutivo e rigoroso
Compreendia a criança:
Chora, e terá o amor em troca.
Porém, a poucas milhas
Nossa tese se transforma
E a duplicação perfeita se torna a aventura
das nossas tradições cartesianas.
A humanidade chora pela cura.
Com os sintomas escurecidos
A própria vida secular trata
De conceber
A cura.
E como diziam as más línguas:
O amor é a cura.
Nos limiares da humanidade
O que se buscava era cura.
As boas línguas afirmam:
O coração sofre
O corpo pesa
A mente concebe
E o que se ganha é a morte.
No caminho tortuoso
Excepcionalmente instrutivo e rigoroso
Compreendia a criança:
Chora, e terá o amor em troca.
Porém, a poucas milhas
Nossa tese se transforma
E a duplicação perfeita se torna a aventura
das nossas tradições cartesianas.
A humanidade chora pela cura.
Com os sintomas escurecidos
A própria vida secular trata
De conceber
A cura.
E como diziam as más línguas:
O amor é a cura.
sábado, 19 de abril de 2014
A literatura precisa renascer.
Convidem bruxas, magos, parteiras.
Convidem médicos e
Quem sabe a ciência.
Preparem os lenços!
Tesoura para desprende-la
Água, para cristalizá-la
E torná-la fluída.
Convidem os desconhecidos
Orem, pois ela é fera.
Convidem benzedeiras, padres, madres.
Torne-a colheita de sua fé mórbida.
O umbilical bíblico
Aquilo que se fez o humano
Sobrenatural e desumano
Sofre pela imperfeição
E isso é adorável
Sentido.
Veja, são vestígios de um ritual
O ethos de um alto grau de violência.
Excitação, criação, morte e ressurreição.
Minha ascensão.
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